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Impacto do uso da terra sobre o estoque de carbono e qualidade da matéria orgânica do solo

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Resumo

A conversão da vegetação nativa para sistemas agrícolas modifica a dinâmica da matéria orgânica do solo, porém a magnitude e a direção dessas alterações dependem do sistema de uso da terra, da intensidade de manejo, do aporte de resíduos vegetais e das características pedológicas de cada ambiente. Nesse contexto, indicadores capazes de detectar mudanças nos compartimentos de carbono são fundamentais para compreender os efeitos do uso da terra sobre a qualidade do solo. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a influência de diferentes sistemas de uso da terra sobre os estoques de carbono e a qualidade da matéria orgânica do solo em uma microbacia localizada no município de Rio Crespo, Rondônia. Foram comparados sistemas de mata nativa, agricultura familiar e agricultura intensiva por meio da determinação dos teores e estoques de carbono orgânico total (COT), carbono oxidável por permanganato (POXC) e atributos físicos do solo, considerando diferentes profundidades e classes de agregados. Os dados foram submetidos a modelos lineares mistos, teste de Tukey (p ≤ 0,05) e análise de componentes principais. Os sistemas de uso da terra influenciaram principalmente os compartimentos mais lábeis do carbono, enquanto os estoques de COT apresentaram baixa capacidade de discriminar os ambientes avaliados. Contrariando o padrão frequentemente descrito para áreas agrícolas, os estoques de COT não foram reduzidos em relação à mata nativa, enquanto a agricultura intensiva apresentou maior estoque acumulado de POXC no perfil de 0–40 cm e maiores conteúdos desse compartimento nas camadas superficiais e intermediárias, especialmente nas frações de agregados de 250–53 μm, <53 μm e no solo total. Esse comportamento indica que o elevado aporte de resíduos culturais e biomassa radicular promovido pela sucessão soja-milho favoreceu a renovação da fração lábil da matéria orgânica, atenuando os efeitos normalmente atribuídos à intensificação agrícola. Em contraste, a agricultura familiar apresentou os menores valores de POXC, refletindo a combinação entre menor aporte anual de resíduos, características do sistema agroflorestal e maior suscetibilidade à erosão superficial, enquanto a mata nativa apresentou comportamento intermediário, evidenciando que a dinâmica da matéria orgânica resulta da interação entre manejo e condições pedológicas. As análises multivariadas corroboraram essa interpretação ao demonstrarem estreita associação entre os compartimentos de carbono e atributos físicos do solo, especialmente textura e estabilidade estrutural. Embora o COT determinado nas diferentes frações físicas tenha apresentado resposta limitada às mudanças de uso da terra, o POXC associado às mesmas classes de agregados discriminou de forma mais consistente os efeitos do manejo, evidenciando maior sensibilidade para detectar modificações na dinâmica e na qualidade da matéria orgânica do solo. Os resultados demonstram que a integração entre o POXC e o fracionamento físico da matéria orgânica constitui uma abordagem mais robusta do que a avaliação isolada do COT para compreender os efeitos do uso da terra sobre a dinâmica do carbono, contribuindo para o monitoramento da qualidade do solo e para a avaliação da sustentabilidade de sistemas agrícolas em ambientes tropicais.

Descrição

Trabalho de conclusão de curso na modalidade artigo apresentado à Coordenação de Curso de Bacharelado em Agronomia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia - IFRO, Campus Ariquemes.

Palavras-chave

Amazônia, Carbono lábil, Carbono orgânico do solo, Qualidade do solo, sistemas de uso da terra

Citação

FARIA, Eduarda dos Santos de. Impacto do uso da terra sobre o estoque de carbono e qualidade da matéria orgânica do solo. Orientador: Acácio Bezerra de Mira. Coorientador: Ivanildo Amorim de Oliveira. 2026. 31 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Agronomia), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, Ariquemes, 2026.