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Tratamento clínico a campo de ferida com tecido de granulação exuberante em equino: relato de caso

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Resumo

As feridas cutâneas em equinos representam um desafio clínico frequente, especialmente quando evoluem para a formação de tecido de granulação exuberante (TGE), condição caracterizada pela proliferação excessiva de tecido cicatricial que compromete a epitelização adequada. Objetivou-se descrever o tratamento clínico a campo de um equino macho, da raça Quarto de Milha, com cinco anos de idade, atendido inicialmente na Clínica Veterinária do IFRO – Campus Jaru Rondônia, com continuidade do manejo terapêutico em haras da região. Na avaliação inicial, o animal apresentava lesão no membro pélvico direito, na região metatarsiana dorsomedial, com presença de TGE, medindo aproximadamente 61 cm de circunferência, superfície irregular, aspecto proliferativo, ausência de exsudato e discreta sensibilidade à palpação. O histórico indicava trauma por arame liso há cerca de dois anos, contribuindo para a cronicidade da lesão. Ao exame clínico, a ferida foi classificada como lacerante, com evolução desfavorável à cicatrização espontânea. O exame radiográfico evidenciou áreas radiolucentes compatíveis com osteomielite na região acometida, sendo o quadro caracterizado como osteomielite crônica. Essas alterações ósseas, associadas à presença de TGE, atuavam como fatores limitantes à contração e epitelização da ferida, perpetuando a lesão. O diagnóstico de TGE foi confirmado por exame histopatológico. Optou-se por tratamento exclusivamente clínico, sem intervenção cirúrgica, baseado em manejo contínuo a campo. O protocolo terapêutico consistiu em higienização rigorosa da ferida, realização de curativos três vezes por semana e uso de bandagem compressiva, medidas fundamentais para controle do ambiente local e estímulo à cicatrização. Foi empregado de forma tópica sulfato de cobre como agente tópico principal, promovendo regressão do tecido de granulação exuberante. Como terapia adjuvante, utilizou-se pomada contendo gentamicina, sulfanilamida, sulfadiazina, ureia e vitamina A (Vetaglós, Vetnil, Brasil), contribuindo para a regeneração epitelial e organização do tecido cicatricial. Pomadas cicatrizantes adicionais foram utilizadas como suporte. Instituiu-se ainda corticoterapia de ação prolongada para modulação inflamatória e controle da proliferação tecidual, inicialmente em intervalos de 15 dias e posteriormente ajustada conforme resposta clínica. Observou-se redução progressiva do TGE, melhora significativa do leito da ferida e evolução favorável do processo cicatricial, mesmo diante da cronicidade e das alterações ósseas associadas. O animal permanece em monitoramento até o completo fechamento da lesão. O protocolo adotado demonstrou eficácia, destacando a importância do manejo clínico contínuo a campo na condução de feridas crônicas em equinos.

Descrição

Artigo entregue como Trabalho de Conclusão de Curso ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Jaru, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Medicina Veterinária, junto ao Curso Bacharelado em Medicina Veterinária.

Palavras-chave

TGE, Manejo terapêutico, Cicatrização, Equinos

Citação

SALVADOR, Mariana Siqueira. Tratamento clínico a campo de ferida com tecido de granulação exuberante em equino: relato de caso. Orientadora: Hortência Campos Mazzo. 2026. 14 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina Veterinária) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia - IFRO, Jaru, 2026.