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Item Literatura indígena brasileira contemporânea como descentramento epistêmico decolonial(2023) Valim, Ricardo; Danner, Leno FranciscoO presente trabalho objetivou analisar o papel desempenhado pela literatura indígena brasileira contemporânea como forma de assegurar e legitimar a perpetuação de suas epistemologias. A pesquisa se justifica na revelação de que nestes escritos os autores indígenas brasileiros contemporâneos trazem a sua maneira a passagem da sabedoria ancestral que comunica uma harmonia cósmica da criação em estreita conexão com a apropriação da palavra escrita. Essa transição da palavra falada para a palavra escrita repercute na possibilidade do compartilhamento de cosmovisões e transferência de valores para além de suas próprias fronteiras epistêmicas naturais favorecendo a difusão e fixação de saberes por intermédio da escrita. Os resultados parciais da pesquisa têm revelado que os povos originários não somente tem se preocupado em assegurar seus direitos constitucionais à terra, mas eles mesmos têm procurado demarcar outros espaços, como é o caso da literatura. Esse fato tem ganhado força pois permite aos povos indígenas garantir a perpetuação de suas culturas e tradições através da palavra escrita. Essas vozes da ancestralidade adaptadas ao contexto da literatura têm despertado ressonâncias em outros campos do conhecimento, sobretudo na educação e filosofia, justamente por ser um fio condutor que remete a busca por sabedoria que difere do consagrado modelo epistêmico-normativo ocidental. Este trabalho está ancorado metodologicamente na leitura e análise das obras de autores indígenasbrasileiros contemporâneos como: Ailton Krenak (2018); Daniel Munduruku (2016); Davi Kopenawa (2015); Kaká Werá Jecupé (2017), além de contar com o estudo de textos produzidos por pesquisadores acadêmicos como: Leno Francisco Danner (2020); Marco Antonio Valentim (2019). Conclui-se que estes ensinamentos presentes na dialética da tradição oral dos povos indígenas encontram agora espaço fértil para seu fortalecimento, atualização e perpetuação de sua produção de conhecimento que conduz para um engajamento social decolonizador visando transformações sociais em prol dos povos originários e sua subsistência material e epistêmica.