Escolas que sentem: uma releitura neuroarquitetônica dos espaços escolares do Ensino Fundamental I
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Resumo
A arquitetura escolar, frequentemente orientada por parâmetros normativos padronizados, ainda se mostra insuficiente para responder às complexas demandas sensoriais e cognitivas da infância contemporânea especialmente quando se trata de crianças neurodivergentes. Diante desse cenário, o presente trabalho propõe uma provocação essencial: até que ponto os parâmetros arquitetônicos estabelecidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) são, de fato, capazes de promover ambientes educacionais que favoreçam o desenvolvimento integral de todas as crianças? De natureza básica, abordagem qualitativa e caráter exploratório, a pesquisa fundamenta-se em revisão bibliográfica, análise documental, mapeamento de unidades escolares, observações in loco e estudos de caso, tendo como eixo teórico os princípios da Neuroarquitetura. A investigação direciona-se à compreensão de como fatores como iluminação, acústica, cores, texturas, ventilação, organização espacial, mobiliário e estímulos sensoriais influenciam diretamente o comportamento, o bem-estar e o desempenho cognitivo infantil. Para isso, são analisados dois contextos distintos: a Escola Municipal José Paulo Paes, em Vilhena-RO, e a Escola Caminho Aberto (CAMB), em São Paulo, permitindo uma leitura crítica entre práticas existentes e possibilidades de inovação projetual. Ao tensionar os parâmetros do FNDE, o estudo evidencia lacunas significativas, sobretudo no que se refere à limitada consideração das necessidades de crianças com Transtorno do Espectro Autista, cujas experiências espaciais demandam maior sensibilidade e intencionalidade projetual. A padronização excessiva, nesse sentido, revela-se não apenas restritiva, mas potencialmente excludente. Em contraponto, a incorporação de diretrizes fundamentadas na neuroarquitetura demonstra o potencial de transformar o espaço escolar em um agente ativo na regulação sensorial e no processo de aprendizagem. Como desdobramento propositivo, o trabalho não se limita à construção de um quadro de recomendações projetuais, mas avança na elaboração de proposições espaciais específicas para cada ambiente escolar, considerando suas particularidades funcionais e sensoriais. Essas diretrizes visam configurar espaços mais confortáveis, acolhedores e eficientes para todos os usuários, com especial atenção às crianças com TEA. Ao articular crítica e proposição, a pesquisa instiga uma reflexão mais profunda sobre o papel da arquitetura na promoção de uma educação verdadeiramente inclusiva, convidando o leitor a enxergar o ambiente escolar como um instrumento transformador da experiência educacional.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Vilhena, como requisito para obtenção do grau de bacharelado, junto ao Curso de Arquitetura e Urbanismo
Palavras-chave
Neuroarquitetura, Transtorno do Espectro Autista, Educação inclusiva, Aprendizagem
Citação
SILVA, Geovana Laura dos Santos. Escolas que sentem: uma releitura neuroarquitetônica dos espaços escolares do Ensino Fundamental I. Orientadora: Priscyla Oriane Brasileiro. 2026. 61f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo); Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Rondônia, Vilhena, 2026.
